CORREIOS | Patrimônio do povo brasileiro em luta pela modernização e soberania nacional

CORREIOS | Patrimônio do povo brasileiro em luta pela modernização e soberania nacional
Por ANATECT Nacional
BRASÍLIA (DF) – Na última semana, os Correios divulgaram o balanço do segundo trimestre de 2025. Os números expõem, com clareza, o tamanho dos desafios que a empresa enfrenta: queda de receitas, aumento das despesas e crescimento expressivo dos passivos judiciais. Mas por trás dos números frios do balanço está a disputa política e ideológica em torno de uma das maiores e mais importantes estatais brasileiras, que atravessa quase quatro séculos de história como parte essencial da vida social, cultural e econômica do povo.
A crise e suas raízes históricas
Entre janeiro e junho, a receita somou R$ 8,9 bilhões, representando queda de 9,5% em relação ao mesmo período de 2024. O setor internacional foi o mais impactado, com redução superior a 60% no volume de postagens após as mudanças nas regras de importação, o que significou perda de R$ 1,3 bilhão em receitas. No mesmo período, as despesas chegaram a R$ 13,4 bilhões, pressionadas sobretudo pelo salto dos passivos judiciais, que cresceram de R$ 646 milhões em dezembro de 2024 para R$ 2 bilhões em junho de 2025, acumulando R$ 4,6 bilhões.
O saldo foi um prejuízo líquido de R$ 4,3 bilhões no semestre. Essa fotografia revela um quadro de crise financeira, mas é insuficiente se não apontarmos sua gênese: as tentativas de privatização e sucateamento realizadas na gestão anterior. Ao negar investimentos em modernização, a direção passada deixou os Correios defasados, com custos elevados e perda de competitividade frente ao mercado logístico privado, cada vez mais agressivo.
A crise, portanto, não é apenas contábil; é resultado de uma política deliberada de enfraquecimento do setor público, parte do receituário neoliberal que busca transferir patrimônio estatal para o capital privado.
Medidas emergenciais e plano de recuperação
Diante da gravidade da situação, a atual gestão tomou medidas imediatas para assegurar a continuidade dos serviços. Foi contratado um empréstimo de R$ 1,8 bilhão, garantindo liquidez e pagamento de compromissos urgentes. Além disso, foram implementados cortes em transporte, serviços terceirizados, aluguéis e utilidades. Um Comitê Executivo de Contingência acompanha diariamente as ações emergenciais.
No entanto, mais do que apagar incêndios, a direção traçou um plano de recuperação. Esse plano está assentado em três eixos centrais:
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Marketplace Mais Correios, lançado em julho, para diversificar receitas e disputar espaço no comércio eletrônico;
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Novas soluções digitais, incluindo meios de pagamento próprios, para inserir a estatal no universo financeiro-digital;
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Negociação de financiamento de R$ 4 bilhões junto ao Banco dos Brics, destinado à modernização dos centros logísticos, automação, digitalização, sustentabilidade e capacitação dos empregados.
Aqui está o conceito de modernização apresentado: não se trata de enfraquecer a estatal, mas de garantir sua inserção tecnológica, fortalecer sua infraestrutura e abrir novos canais de receita sem romper com o caráter público e social da empresa.
O papel central dos trabalhadores e trabalhadoras
Nenhuma transformação é possível sem quem faz a empresa existir: os trabalhadores e trabalhadoras. No primeiro semestre de 2025, os Correios destinaram R$ 761 milhões à Postal Saúde e R$ 564 milhões ao Postalis, assegurando assistência médica e previdência. Houve também a retomada de direitos, como a gratificação de férias, que havia sido retirada em períodos anteriores.
O discurso oficial reconhece a importância da classe trabalhadora, mas, do ponto de vista marxista, sabemos que mais do que “recurso humano”, eles são sujeitos ativos da modernização. A eficiência e eficácia na gestão não podem, em hipótese alguma, se dar às custas de cortes de direitos ou precarização do trabalho. Ao contrário, é a valorização da força de trabalho que garante a sustentabilidade real da estatal.
Correios e o povo brasileiro: serviço público indispensável
A universalidade dos Correios é um patrimônio social. Nas periferias dos grandes centros, nas cidades pequenas e na zona rural, os Correios cumprem papel estratégico: levam correspondências, medicamentos, mercadorias, provas de concursos, documentos oficiais, e asseguram inclusão logística a milhões de brasileiros que não interessam às empresas privadas por não representarem lucro imediato.
Destruir os Correios é condenar esses territórios à exclusão. Fortalecê-los, ao contrário, é garantir cidadania, soberania e presença do Estado em cada canto do país.
Caminhos para o futuro
O caminho apresentado é claro: cortar desperdícios, modernizar operações, criar novas fontes de receita e preservar empregos. Mas, para além do discurso gerencial, é preciso compreender a disputa política em curso. O futuro dos Correios, nessa proposta, é de permanência como estatal estratégica, modernizada tecnologicamente, sustentável e comprometida com os direitos trabalhistas e a universalização dos serviços.
Para que isso se concretize, a participação popular é indispensável. Cabe à sociedade brasileira — especialmente trabalhadores, sindicatos, movimentos sociais e comunidades periféricas — defender os Correios como patrimônio público, resistindo a novas tentativas de privatização.
Um novo tempo em disputa
Com quase quatro séculos de existência, os Correios já provaram sua capacidade de reinvenção. O que está em jogo agora não é apenas a sobrevivência de uma empresa, mas a defesa de um projeto de país: soberano, inclusivo e comprometido com o bem-estar social.
A ANATECT Nacional reafirma: concordamos que modernizar os Correios não é entregá-los ao mercado, mas fortalecê-los como empresa pública, uma estatal eficiente e eficaz, que preserve sua força de trabalho, sua capilaridade social e seu papel cultural e histórico na formação do Brasil.
A luta pela modernização é também a luta contra o sucateamento neoliberal, e pela defesa intransigente do povo brasileiro que depende, todos os dias, dos serviços dessa gigante estatal.



